Depoimento de Aldair Lazzarotto AFT | Aldair Lazzarotto

Meu Depoimento de Concurseiro

Olá pessoal! Contarei aqui um pouco do que foi a minha preparação para concursos e das dificuldades encontradas no caminho, que culminou com a aprovação em 3º lugar no concurso de AFT de 2013. Espero que a mensagem possa auxiliar em sua caminhada, quem sabe até motivá-lo(a) a se manter firme rumo à  aprovação. Havendo dúvidas, utilize a área de comentários ao final da página. Responderei sua mensagem o mais breve possível.

O INÍCIO

“Minha infância/adolescência foi uma época bem difícil em termos financeiros. Sempre fui muito pobre. Meu pai criou quatro filhos com algo em torno de dois salários mínimos. Sempre estudei em escola pública da periferia da cidade e comecei a trabalhar muito cedo (aos 13 anos). Já fiz um pouco de tudo, desde distribuição de panfletos no centro da cidade, guarda-mirim, auxiliar de produção, tratador de animais no zoológico, etc. Todavia, sempre tive como objetivo buscar uma condição melhor para mim e para minha família.

Descobri o que “era concurso público” com 16 anos quando, através da Guarda-Mirim, fui colocado para trabalhar na Justiça Federal em Cascavel/PR. Existia um convênio entre a instituição e a JF e os menores eram designados para trabalhar meio período, recebendo um salário mínimo, em função similar a office-boy ou contínuo. Fiquei lá até os 18 anos. Nessa época, em que pese os incentivos dos servidores do órgão, jamais imaginei que poderia ser aprovado em concursos [primeiro grande erro: NÃO ACREDITAR QUE É CAPAZ]. Achava que isso era para os “filhinhos de papai”, que estudavam em boas escolas, tinham dinheiro para investir em preparação e cursavam faculdade. Eu era apenas um “coitado” que, estatisticamente, faria apenas o ensino médio e passaria o resto da vida em um emprego odioso.

Mas eu não iria me entregar assim tão fácil. Quando saí da Guarda-Mirim, fiquei um ano desempregado. Como não tinha experiência, o mercado de trabalho não me aceitava. Posteriormente, arrumei emprego em uma fábrica de móveis onde trabalhei durante um ano, inclusive em horário noturno. Foi uma época difícil, mas que, hoje, percebo que ajudou a desenvolver minha RESILIÊNCIA e força de vontade.

A PRIMEIRA DECISÃO

Nessa época (2002), com 19 anos, ainda sem perspectiva de cursar uma universidade, comecei a considerar a hipótese de estudar para concursos. Não pensava em nada “grande”, apenas um cargo que me proporcionasse um trabalho mais administrativo e com melhor salário. Juntei as econômicas de um ano de trabalho com o FGTS da rescisão e fiz o maior investimento da minha vida: comprei um computador. Acredito que tenha sido o primeiro equipamento desse tipo que entrou no bairro em que morava, salvo o de algum comerciante.

A internet discada permitia que eu acessasse a rede apenas após a meia noite, nos sábados a partir das 14 horas e aos domingos e feriados. Nesses horários, comecei a vasculhar a internet e a consumir tudo o que encontrasse sobre concursos públicos. Nessa época ainda não existiam materiais especializados para concursos (cursos online, PDF, videoaulas, etc.).

OS PRIMEIROS CONCURSOS

Ainda trabalhando na indústria, fiquei sabendo de um concurso para Carteiro que estava com inscrições abertas e com vagas na cidade. Motivado a dar o primeiro passo em busca de um futuro melhor, fui até a agência, fiz a inscrição, comprei a apostila na frente dos Correios e, um mês antes da prova, iniciei minha jornada. Eram apenas duas disciplinas: Língua Portuguesa e Matemática Básica. Em que pese eu ainda não saber a diferença entre um substantivo e um adjetivo, devorei a apostila e li todos os sites gratuitos que encontrei sobre as disciplinas na internet.

Era o ano de 2003. Fiz a prova e, para minha surpresa, acabei aprovado em 13º lugar para a região de Cascavel/PR. Não cheguei a assumir o cargo em razão de um problema na fase seguinte, mas essa primeira aprovação, com apenas um mês de estudo, quebrou a primeira barreira que muitos candidatos enfrentam em busca do tão sonhado cargo público: A FALTA DE CONFIANÇA. Ainda em 2003, prestei concurso para Teleatendente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL) e para a Prefeitura Municipal de Cascavel. Fiquei no final da lista de aprovados no primeiro (após o 300º lugar…) e fui aprovado na 2ª colocação no segundo, onde trabalhei por um ano na Secretaria no Meio Ambiente como tratador de animais.

Continuei procurando concursos para prestar, ainda sem nenhum planejamento. Em 2004 decidi que precisava alçar novos voos e prestei mais dois concursos: Técnico Previdenciário do INSS, organizado pela CESGRANRIO, e Auxiliar Judiciário no TRT 9ª Região (FCC). Continuava estudando por sites gratuitos, por apostilas “tudo em um” e por códigos de leis comprados em livrarias. Utilizava meus intervalos de trabalho para estudar pelo código, que me acompanhava onde eu ia. Fui aprovado em 1º lugar no INSS para a regional de Cascavel/PR e em 5º lugar no TRT. (Aqui cabe uma observação: considero que na época a concorrência era menor e a prova mais fácil. Por isso consegui ser aprovado em concursos bons ainda estudando de forma precária). Decidi trabalhar no TRT. O trabalho era na área administrativa, em almoxarifado. Já era algo gigante para alguém que há três anos estava sem rumo.

COMEÇANDO A RESPIRAR CONCURSOS

Em 2005, já com 22 anos, pude iniciar a graduação. Cursei Ciências Contábeis na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) e, posteriormente, finalizei o curso na Universidade do Vale do Itajaí/SC (UNIVALI) em 2011. Fiquei no TRT 9 de 2005 a 2010. Essa minha primeira fase de preparação para concursos foi a etapa AMADORA, em que o estudo era sempre pós-edital, com apostilas ou materiais obtidos em sites gratuitos da internet, sem nenhum planejamento ou preparação de médio prazo, e escolhendo os concursos pelas oportunidades que apareciam.

Fiquei três anos prometendo que ia me preparar para um cargo melhor. Pensava em prestar para Técnico Judiciário do TRT. Mas, cometi outro grande erro: a PROCRASTINAÇÃO. A vida já tinha melhorado, era o primeiro acadêmico da família e com um salário bom para a minha realidade. Sempre pensava: “amanhã eu começo”, mas o amanhã “não existe”. O fato de estar na faculdade parecia aprovar a minha AUTO SABOTAGEM. Chegou 2007 e saiu o edital para o TRT 9ª Região, organizado pelo CESPE. Estudei dois meses, FOCADO, já com algum material de qualidade, mas não fui aprovado. Percebi que precisava de um planejamento mínimo para organizar meu estudo, caso desejasse alcançar um melhor cargo.

Nessa época, já existiam bons materiais (livros e PDF) direcionados para concursos, mas os materiais em PDF eram muito caros. Então, resolvi investir em livros e em resumos que encontrava na internet. Com a bagagem de dois meses da preparação anterior, estudei mais três meses e prestei o concurso do TRT 12ª Região, também para técnico judiciário. Já tinha alguma organização e comecei a me policiar para estudar todos os dias. Comecei a cultivar a DISCIPLINA. Fui aprovado em 58º lugar e fiquei na lista de espera aguardando nomeação.

O APRENDIZADO

Em 2008 prestei os concursos do TRT 18ª Região (Goiás) e do TRT 2ª Região (São Paulo) para os cargos de Técnico Judiciário (TJAA) e Analista Judiciário (AJAA). Não era graduado, mas ouvi o incentivo de um colega de trabalho que disse: “Já que você vai até SP e GO, se inscreve para fazer as duas provas. Ao menos vai servir como experiência”. Nunca gostei de entrar em batalhas para perder, nem que fosse para adquirir experiência, mas acabei me inscrevendo para as duas provas. Fui aprovado entre os 100 primeiros em São Paulo e entre os 300 em Goiás para Técnico Judiciário. Aqui eu já possuía de oito a nove meses de estudos.

Contudo, a maior surpresa foi o resultado na prova de nível superior. Mesmo estando apenas no terceiro ano da faculdade, uma excelente nota nas provas discursivas (100 em ambas) fez com que eu conseguisse a 2ª colocação em Goiás e a 9ª colocação em São Paulo para Analista Judiciário Área Administrativa (AJAA). Era 2008, eu ainda era Auxiliar Judiciário no TRT e cursava o terceiro ano da graduação.

Esses dois concursos me ensinaram duas lições valiosas: a ter PACIÊNCIA e  a aguardar o tempo certo, TUDO TEM SEU TEMPO! Posteriormente, descobri um texto bíblico que fala justamente isso (Eclesiastes 3, 1-13):

“Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de derrubar e tempo de edificar; Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de dançar; Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guerra, e tempo de paz. Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha? Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar. Tudo fez formoso em seu tempo; Que todo o homem coma, beba e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus”.

A segunda lição aprendida foi o grande PODER DA NOTA DA PROVA DISCURSIVA, ou seja, o peso que uma boa nota na prova dissertativa tem na classificação final. No TRT 2ª Região, ganhei mais de 90 posições em razão da nota máxima na prova discursiva.

Em 2009 fiz ainda o concurso para Analista no TRT 3ª Região e em 2010 para Analista do MPU. Fui aprovado em 35º no primeiro, mais uma vez, graça a um “90” na prova discursiva. No MPU fui aprovado apenas na primeira fase. A segunda fase cobrou um assunto que eu havia estudado muito pouco até então: “a importância do mapeamento de competências em uma organização pública” e, em razão do desconhecimento do assunto, não fui aprovado. Ainda em 2010 fui nomeado Técnico Judiciário no TRT 12ª Região e resolvi ir para Santa Catarina. Foi a primeira vez que troquei a área administrativa do TRT pela área judiciária. Era recém-casado e tinha uma filhinha de nove meses. Finalizei minha segunda fase de preparação para concursos, a fase “semi organizada”.

ESTUDANDO EM ALTO NÍVEL

Em setembro de 2010, ainda na graduação, iniciei a terceira fase da minha saga em concursos: o projeto AFT. Nessa etapa meu estudo já podia ser considerado de ALTO NÍVEL. O foco era total e eu investia o que podia para ter um estudo de alto rendimento. Ambiente de estudos, cronograma de estudos, materiais didáticos, professores, etc. Tudo era pensado para o melhor desempenho. Em 2010 também fiz um novo concurso do TRT 9 para TJAA e AJAA. Fui aprovado entre os 100 para técnico e “reprovado” em 20º para analista, pois chamaram apenas os três primeiros.

Em 2011 resolvi voltar para o Paraná e assumi o cargo de Técnico Judiciário em Laranjeiras do Sul/PR. Trabalhei ali um ano e em 2012 assumi o cargo de Analista Judiciário no TRT/MG, na cidade de São Sebastião do Paraíso. Trabalhei lá quatro meses até conseguir uma permuta para São José dos Pinhais/PR, onde fiquei por oito meses até conseguir a remoção para Cascavel/PR, já no final de 2013. Durante todo esse tempo estudei para Auditor Fiscal do Trabalho (AFT), meu grande objetivo.

“ESCOLHA O CARGO ADEQUADO AS SUAS APTIDÕES”

Neste período de quase quatro anos de trabalho na área judiciária do TRT, nas Varas do Trabalho, percebi que não havia considerado em minha estratégia de estudo a ESCOLHA DO CARGO IDEAL. Em que pese sempre ter desenvolvido minhas atividades com zelo e dedicação, a verdade é que eu me sentia um “peixe fora d’água”. Não me adaptei a atividade repetitiva e monótona das varas do trabalho. Eu adorava Direito do Trabalho, mas não usava nada desse conhecimento no trabalho todo “processual”. Precisava de uma atividade que me proporcionasse desafios, que eu pudesse ver o resultado do meu trabalho e que eu pudesse ser um ator de mudança social e não apenas um cumpridor de horários. Essa “má” escolha acabou se tornando um fator de MOTIVAÇÃO na longa jornada de estudos para AFT. Agora eu havia definido meu foco de estudo com base em minhas aptidões e pontos fortes. Não há nada mais frustrante para um servidor do que ver-se na função errada após anos de estudos e dedicação.

A PREPARAÇÃO PARA AFT

Desde o início da preparação para AFT, eu trabalhava de 7 a 8 horas diárias. Assim, de segunda a sexta-feira, estudava em média de 4 a 5 horas por dia. Nos finais de semana, estudava em um dos dias (de 8 a 10 horas) e folgava no outro para ficar com a família. Sempre estudei sozinho em um quarto da casa. Iniciei a preparação para AFT com uma boa base nas disciplinas gerais (Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico, Direito do Trabalho, Constitucional e Administrativo) decorrente da preparação para TRT.

Dividi as disciplinas do edital em dois ciclos de estudo, alterando as disciplinas “exatas” com os “direitos”. Nas disciplinas em que já tinha uma boa base teórica priorizei as revisões, os exercícios e o estudo da jurisprudência. Como eram dois ciclos, estudava cada um deles por um período de dois a três meses, de forma bem flexível (incluía e retirava disciplinas, aumentava ou diminuía o tempo dedicado a cada uma, conforme o estudo avançava).

Os primeiros dois anos de preparação foram relativamente tranquilos. No terceiro ano as coisas começaram a complicar, devido à demora em sair o edital e o desgaste familiar decorrente do longo período de estudos. O cansaço, o sono e as dúvidas eram cada vez mais comuns. O que me confortava era acreditar que estava no caminho certo e que todos os concorrentes se encontravam em situação similar. A realidade nem sempre é fácil, mas o segredo é manter o EQUILÍBRIO. Estudos, família, saúde, exercícios físicos, etc. devem conviver harmonicamente.

Em fevereiro de 2013 foi escolhida a banca organizadora do concurso de AFT (Cespe/UnB). Todo o período de preparação foi focado na ESAF, e agora? Era normal bater um desespero. Comecei a resolver inúmeras provas daquela banca, principalmente de Língua Portuguesa e de Raciocínio Lógico, disciplinas cuja cobrança difere muito entre as bancas. Quando saiu o edital, em junho, fiquei dois dias planejamento minha rotina de estudos até setembro (data da prova).

A maior dificuldade foi conseguir estudar nos dois meses pós-edital todas as novidades trazidas pelo CESPE (inclusão de sete novas disciplinas). Redação Oficial, Informática, Administração Geral, AFO, Direitos Humanos, Contabilidade, Auditoria e o aumento no conteúdo programático de Direito Previdenciário e Saúde no Trabalho substituíram as disciplinas de Direito Civil, Direito Penal, Direito Empresarial, Sociologia do Trabalho e Língua Estrangeira, que deixaram de ser cobradas. Consegui 30 dias de férias que foram fundamentais para estudar quase todas as novidades. Principalmente nessa última etapa (estudo pós-edital), conhecer os melhores métodos e materiais para um estudo intensivo foi fundamental.

Conheça a Bibliografia indicada para o concurso de Auditor Fiscal do Trabalho!

Fui para a prova sob uma pressão imensa, mas com a sensação de dever cumprido. Sabia que tinha feito o possível para estudar o máximo de horas que consegui, com o melhor material disponível, utilizando as técnicas de estudo mais adequadas que conhecia.

Fui o quinto colocado na primeira fase do concurso, empatado com outro candidato. A prova discursiva foi realizada em dois turnos, aproximadamente um mês depois da prova objetiva. Nunca tive grandes dificuldades em Língua Portuguesa e estava em nível bem avançado na maioria das disciplinas que foram cobradas na discursiva. Então, precisava apenas se adequar ao terceiro aspecto necessário para elaboração da prova discursiva: a macroestrutura textual. Os outros dois aspectos são a microestrutura (gramática) e o conteúdo. O estudo desses dois aspectos já deve estar bem consolidado na primeira fase. Ir para a prova discursiva sabendo como a banca quer que você apresente o conteúdo da questão discursiva é fundamental.

Veja aqui os 4 (quatro) pilares para estruturação da questão discursiva.

Como “dificuldade pouca é bobagem”, fui para a prova discursiva com o maior unheiro que tive até hoje, no dedo médio da mão direita, ou seja, no dedo que utilizo para apoiar a caneta. Dois dias antes, passei na farmácia e comprei anti-inflamatórios e um esparadrapo, que utilizei para isolar o dedo e controlar a dor resultante do apoio da caneta. Meu tempo havia chegado! Fiz uma boa prova discursiva e acabei subindo para o terceiro lugar.

Após a discursiva, abriu-se o prazo para apresentação da documentação referente à sindicância de vida pregressa (3ª fase do concurso, que consiste na apresentação de certidões negativas). São exigidos documentos dos locais de residência dos últimos cinco anos. Como eu havia morado em três Estados nos últimos cinco anos, foi a maior correria conseguir as certidões em todos os locais. Consegui com ex-colegas de trabalho as certidões de Itajaí/SC e de São Sebastião do Paraíso/MG. Mas, o prazo de apresentação estava chegando e o Correio não entregava os documentos postados pelos colegas. Na véspera chegou a último envelope. Ufa! Estava em Cascavel e viajei até Curitiba para entregar pessoalmente todas as certidões.

O ABISMO

Após o resultado das provas discursivas, comemorei muito a “conquista”. Quando saiu o resultado provisório da sindicância de vida pregressa, a surpresa foi muito grande ao não encontrar meu nome na lista (não disse que dificuldade pouca é bobagem? rs). Isso aconteceu no dia 23 de dezembro, quase véspera de Natal, e somente no dia 26/12 o CESPE publicou os motivos da “reprovação”. Alegaram que eu “não havia apresentado certidões negativas de antecedentes criminais da Justiça Estadual do Paraná e que certidões emitidas por cartório não eram válidas para cumprimento desse item“. Deduzi que não aceitaram minhas certidões porque entenderam que o “cartório” emitente da certidão era um ente estranho à Justiça Estadual. Acontece que o tal cartório era o próprio Ofício Distribuidor da comarca (no PR chamam de Cartório Distribuidor).

Elaborei meu recurso administrativo explicando essa situação. Mas, infelizmente, a banca indeferiu o recurso alegando que o mesmo “não pode ser aceito, pois entre as páginas apresentadas não havia as certidões questionadas“. Mas elas estavam lá! Já tinha viagem programada para o Natal com a família que não podia ser cancelada. Foi o pior Natal e Réveillon da história. Parecia que tinham arrancado algo de mim. A sensação de tristeza e impotência era indescritível.

Não sobrou alternativa a não ser questionar o erro da banca no Judiciário. Felizmente, após dois longos meses “reprovado”, a banca reconheceu que houve erro material na análise das certidões e reincluiu meu nome na lista de aprovados.

CONCLUSÃO

Em que pese todas as dificuldades encontradas, algumas em que não é possível interferir para evitá-las ou minimizá-las, passar em concursos depende basicamente do esforço e do preço que cada um está disposto a pagar. Se você trabalha ou não, se tem boas condições financeiras ou se passa dificuldades, isso não vai definir a lista de aprovados. Uma grande lição que aprendi nesse período é que todos têm condições de serem aprovados, basta se preparar adequadamente. Alguns podem passar com apenas dois ou três meses de estudos. Outros podem demorar vários anos. O importante é respeitar a sua condição e o tempo certo. Para mim, o concurso público era a única opção visível para vencer na vida e eu a agarrei com unhas e dentes.

Deixei a vida de candidato em concursos públicos com a sensação do dever cumprido, com a certeza de que o esforço é sempre recompensado, que é importante ter confiança, acreditar que é possível e que o resultado depende mais do que você está disposto a fazer para alcançá-lo do que dos outros. Por último, não importa o quão doloroso e sofrível é o momento que você está passando na fase de preparação, a maioria das pessoas, até mesmo amigos e família, pode não entender.

Agradeço a você por ter lido o depoimento até o final. Fique à vontade para entrar em contato comigo, se assim desejar: contato@aldairlazzarotto.com.br

Um grande abraço!

Aldair Lazzaroto

Ex-Concurseiro